sexta-feira, 10 de junho de 2011

Os terremotos. Metafóricamente falando.

Sabe o aperto que dá no estômago quando as coisas estão para desmoronar? Tem gente que enche o estômago de comida pra resolver a sensação. Eu paro de comer. E não paro de pensar. E não consigo parar de sentir medo.
Mas tem, no fundo de mim, algo morno, um alento. A sensação é que eu estou de novo caindo e não sei a profundidade do buraco, mas independente disso, eu não vou cair em chão duro.
Eu passo por terremotos metafóricos periodicamente, alguns deles são tão devastadores quanto o que aconteceu no Haiti no ano passado: o chão se abre, as construções desmoronam, pessoas morrem engolidas no grande buraco do chão. Vão para o meio do mundo, onde tem lava, aí essas pessoas derretem e viram só lembranças.
O de agora deve levar mais um bocado de coisa. É nova fase da série que é a minha vida começando? Eu achei que a nova fase tinha começado em fevereiro. E achei de novo em abril.
Eu achava que tinha uma vida de novela mexicana, com confusões cômicas, acontecimentos pseudo-dramáticos, amores tão tórridos quanto passageiros. Estava mais pra Malhação, percebi depois.
Agora as coisas estão mais complexas. Nem Malhação, nem novela mexicana dublada apresentada pelo SBT atendem à descrição. Amadureci e amadureceram os dramas e os amores. Agora s coisas estão muito mais pra Lost: eu não sei o que vai ser, fico ansiosa esperando, e nunca entendo nada! E talvez chegue ao final sem entender e o final não seja feliz. Como foi que o canal de apresentação da minha vida deixou de ser Disney e virou AXN?



quinta-feira, 9 de junho de 2011

Aquele pincel que tem pintado a estrada

Me comparando comigo mesma, 7, 5, 3 anos atrás, constatei uma decadência intelectual lamentável.
Isso tudo por causa da minha cisma idiota de que eu tinha que ser "normal"! Tinha que ser uma adulta satisfatória para o mundo. Trabalhar, namorar, terminar a graduação, andar de salto alto, ter um salário bom e comprar um carro. O que eu consegui?
Os saltos me deixaram com os pés cheios de bolhas. O namoro é uma questão tão frustrante que eu finalmente desisti! O salário subiu faz um mês, logo, não tenho o carro ainda. Aliás, não sei nem dirigir.
E consegui também emburrecer! Adormecer meu cérebro que era tão aflito e ativo e produtivo! Uma pena mesmo...
Logo eu que era tão criativa, poética! Ia acabar escrevendo um livro tipo os da Clarice Lispector, com essas histórias de dentro, difíceis de entender, mas que a gente sente perfeitamente. Agora o que vai sair de mim? O dia-a-dia de uma usuária assídua de Excel? Não me parece nada relevante.
E eu quero tanto fazer algo relevante na vida!!!
Nada de aparecer na TV, ou publicar um best-seller. Não almejo tanto. Mas pelo menos quero deixar para o mundo palavras que me eternizem na mente de um ou de outro.

Essa inquietação toda surgiu por culpa do Rodrigo e daquele blog infernal dele que não me deixa trabalhar a uma semana! Não consigo parar de ler!!!
Aliás, estou apaixonada pelo cérebro dele. E com muita inveja. Me roendo mesmo! Fui até investigar meu primeiro e-mail, que eu sabia que tinha rascunhos de textos que fiz em momentos de angústia ou alegria (se é não são a mesma coisa) em que o Word era o melhor meio de desabafar. Meu blog da [época está sumido ai pelos sites que se fecharam, então achei pouca coisa. Mas foi o suficiente pra acabar de acordar o monstro que o bdmc cutucou.

O que há? Faço o quê agora?
Agora escrevo!
Estou novamente fadada a pensar demais, querer demais, escrever para que alguém leia e talvez goste... Embora eu tenha passado os últimos anos evitando ser julgada.
Agora eu quero ser julgada! Quero perder o medo que surgiu. Quero ser como eu era nos meus reluzentes 18 anos, quando eu só queria por pra fora as milhões de palavras que borbulhavam e me agitavam por dentro, me deixando sem lugar. Me obrigando a falar sozinha quando andava na rua, por onde quer que eu passasse.
Eu não conseguia dormir no ônibus, porque os pensamentos faziam barulho!
Eu não conseguia ficar sem ler um livro, porque isso ajudava a aquietar e a acrescentar, esclarecer.

Quando foi que eu me perdi, hein?
Tenho quase certeza de que foi essa história de metrópole. Leva muito tempo dentro dos ônibus, a gente viaja em pé e eles não são iluminados: não dá pra ler desse jeito! Dá pra dormir em pé. E eu fui dormindo o corpo e a cabeça.
Parece que agora estou acordando, o corpo menos, mas a cabeça está falando mais do que eu costumo deixar. Essa semana até me surpreendi falando sozinha na rua. Adoro ser tomada como doida.
A doida dos pensamentos borbulhantes!
Ser normal é muito fácil e confortável, mas eu não quero conforto: quero crescer por dentro.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Pensamentos notáveis

Pensamentos notáveis de hoje:

Com Cidiney, sobre a escolha dele, tempos atrás, de não trabalhar numa empresa que ele não sabia, mas era a Vale:

"Mas nem tem como você saber se seria melhor mesmo. E se escolhesse só pra saber, deixaria de saber da que você recusou. E não dá pra sair experimentando tudo só pra não perder. A gente sempre tem que fazer escolhas e sempre perde alguma coisa. Em tudo na vida."

Grandes coisas, né? Todo mundo sabe dissso!
Bom, eu não sabia, a alguns anos atrás. E saí fazendo tudo o que me dava na telha, pra não perder nada. A não ser que eu não tivesse curiosidade nenhuma sobre a tal coisa.
Alguém tem ideia da quantidade de merda que eu fiz por causa disso?
Nunca terão!

O segundo pensamento veio bem cedinho, quando cheguei no trabalho, liguei o computador e vi gabs on line:

"A distância aproxima as pessoas."

Contraditório? Paradoxal? Idiota?
É a mais pura verdade! Porque eu nunca senti tanto carinho pelo meu amigo como agora que ele está super longe! Acho que nem ele por mim...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Manias, esquisitices ou meras características que me compõem?

Eu já contei das minhas manias aqui?
Vou contar logo antes que elas se acabem. Porque vão diminuindo a cada ano e agora a Doutora Loirinha, minha psicóloga, resolveu que eu vou ter que falar delas na próxima sessão. Droga! Pra quê que eu fui comentar?? Mas eu juro que não achava que tinha nada de psicologicamente errado nessas coisas que eu faço.

São estas:
1 - Toda vez que entro num ônibus eu procuro as pessoas bonitas. Prefiro sentar (quando eu sou obrigada a dividir o banco) do lado dos caras bonitos, não das mulheres. Mas o que há de tão anormal nisso? E nem é pra conversar com o tal cara bonito. Só fico lá sentadinha, caladinha e satisfeita.

2 - Faço listas.
- Listas de afazeres,
- de filmes para assistir,
- de músicas aleatórias que escuto em boas estações de rádio,
- de caras que eu beijei (já parei essa faz tempo),
- de roupas para compor a mala antes de uma viagem,
- de comida que eu tenho que comprar pra semana no super mercado,
- de compromissos legais dos fins de semana,
- da ordem em que eu vou limpar a casa,
- do que eu tenho que "matar" no trabalho
- e lista das listas que eu faço.

3 - Desde pequena eu escolho alguém pra "ser" nos desenhos, novelas e filmes. Eu já fui a Power Ranger Amarela (na temporada que ela era mais bonita que a Power ranger Rosa), a Bulma do Dragon Ball (antes de ele ser Z), a Serena, do Saillor Moon (minha irmã era a Saillor Vênus), das Princesas eu era a Cinderela. Já fui até a Kim, personagem da Winona Rider em Edward -  Mãos de Tesoura.

4 - Divido cheiros em fechados e abertos. Não em amadeirados, florais, cítricos, etc... E os cheiros mel lembram épocas. Inverno, por exemplo tem cheiros específicos e totalmente diferentes do verão. E eu sei que dezembro está chegando pelo cheiro que fica no ar. E é claro, primavera tem o melhor cheiro de todas. As noites de primavera tem cheiro de flores. Que são cheiros abertos.

5 - Faço diário desde os 8 anos de idade*. Ando com um caderno (porque agendas datadas são limitadas demais) pesadíssimo na bolsa, independente de pra onde eu vá. A não ser na minha carteira verde abacate, que é nova e não cabe o caderno. Mas eu uso-a muito pouco por causa disso mesmo.

6 - Quando estou muito muito concentrada em alguma coisa, fico de boca aberta, parecendo retardada. Essa é a pior, eu acho. E sem concerto, eu também acho, infelizmente.
Aliás, vou é falar dela pra Doutora Loirinha, que isso é realmente importante de resolver.

Tem outras manias, mas eu não consegui pensar nelas. Devem estar tão intrínsecas que eu não percebo mais. Vou me observar por esses dias. Aí acrescento.



*Ainda vou desenvolver isso posteriormente.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Volver

Foi uma confusão danada e deve me render boas coisas...

Pra começar, meu ultimo post sobre maturidade e tudo o mais é balela. É e não é. É verdade, mas ainda não é dessas coisas firmes em que a gente pode confiar. Eu devo ter ainda duas ou três recaídas. Tive uma na semana passada mesmo: estava eu ocupada em lavar a cabeça, 6 da manhã, frio e pressa pra ver se conseguia pegar o ônibus pela segunda vez na semana, quando veio o H. dentro da minha cabeça com aquele discurso de merda sobre me amar demais mas querer ficar comigo só pra "viver o presente".
Respondi gritando, olhos em fúria que ele era um bosta. Que isso não existia e não era amor. Que eu era linda e ele era um feio e estava pegando o boi de estar comigo, então, porque ele achou, por algum tempo que eu ia aceitar essa história de namorar com tantas ressalvas se eu não precisava disso?? E disse também que eu queria e merecia um cara mais decidido, mais resolvido e não queria, de forma alguma, um zé que de repente resolveu ter de novo 17 anos, além de ser genérico, ordinário mesmo (nos dois sentidos: comum e filho de uma p***).
Ele encolheu, encolheu, encolheu. Ficou do tamanho de uma ervilha. E meio verde de espanto. Finalmente eu respondi do jeito que deveria responder. Talvez ele nunca mais apareça na minha cabeça.

Ai aconteceram umas coisas, que vão aqui resumidas:
- Carina e Leo agora deram de sair com o H. Ela é minha irmã não é?
Bom que eu chorei até, contei pra minha mãe (eu tenho 5 anos?) e ela resolveu que era pra eu ir pra Pará de Minas pra ficar feliz.
- Passei a noite de sexta trabalhando com biscuit com Tati e Madá. Isso não é coisa de se fazer numa noite de sexta, é? Mas fiz pela Tati e pela falta de opções mais solteiras...
- Passou Globo repórter sobre doenças causadas pela solidão. Endossou meu drama com a minha mãe. E que fique claro que o drama, embora seja drama mesmo, é totalmente verdadeiro.
- Sábado fui bater perna no centro de Pará com a minha mãe. À noite fomos num casamento. E mais tarde ela pagou pra eu ir no show do Fred no Cine Pub porque disse que eu preciso me divertir.
- Cine Pub (não é realmente um pub, mas achou que ficaria chique chamar assim) - Zap de copas show ensaio - as mesmas pessoas de 4, 8, 10 anos atrás. Duas novidades que eu espero continuar encontrando por ai... - em casa às 4:30 da manhã
- Dormi com a Flora (minha gata esnobe) até as duas da tarde. E eu tinha marcado ir na Expo Cachaça com o Gugu - eu não desisti - à tarde. Aí foi correria: malas, ônibus pro centro, táxi pra rodoviária, fila pra comprar passagem, onibus com duas criaturas gracinhas que resolveram dividir a música deles. Um dia vou elencar as coisas que eu odeio, música pública é uma das top 10.
E quando era só Justin Bieber tava muito bom, comparado ao momento que resolveram tocar funk. Mudei de lugar e consegui dormir.
- Betim - casa - malas - troca de roupa - Expo cachaça já acabou - ônibus pra BH com um ar condicionado ignorante - Gugu e Rodrigo.

Aí foi a terceira coisa boa do fim de semana (conseguiram pegar quais são as outras duas?).
Duas pessoas parecidas comigo. Que me entendem.
Eu estava me sentindo muito díspar ultimamente. Foi de renovar a alma achar alguém que conversa sobre socialismo...



E o Rodrigo lembra muito o menino peste de um desenho que eu via quando não fazia nada da vida...

Dennis - The Menace

sábado, 28 de maio de 2011

Sentimental

Hoje eu acordei assim... sentimental.
Começou de manhã quando eu disse pra minha irmã que ia vir trabalhar e ela quis que eu ficasse em casa. Expliquei que não fazia sentido ficar em casa porque:
1 - Eu tinha muita coisa pra fazer.
2 - Ela ia estudar e não ia poder nem conversar comigo durante o dia.
3 - O Leo ia à tarde lá pra casa e ela ia ficar namorando e de novo, não ia nem conversar comigo.
4 - Preciso de muito dinheiro pra comprar desinfectante, porque a Amélie faz xixi pela casa toda o tempo todo.

Aí bateu aquela coisa de "eu nem tenho amigo s em Betim...", "não tem nada pra fazer em Betim..."... Ai comecei a lacrimejar. E pensei "Bosta de TPM". Porque é TPM mesmo! Ta bom que eu fico triste de verdade com essa situação e ela é bastante real, solitária e dolorosamente real, mas eu não choro todas as vezes que penso nisso. Só uma vez a cada mês, durante essa baixa de hormônios...

Ai saí pro trabalho. E quando cheguei aqui o 1Berto estava também. Ele é o  meu chefe, já falei dele aqui.
Pois então, ele está saindo de férias e a partir de segunda feira eu estarei sozinha aqui, com mil coisas pra fazer e sem saber fazer tais mil coisas. Desesperador? Com certeza! Principalmente se somado ao fato de eu ainda ter que ensinar a menina que fará a minha função antiga e inicio de mês é quando bomba a minha função antiga!
Mas, incrivelmente,  eu não estou chorando por causa disso. Ai sabem porque foi que eu chorei? E foi o cúmulo????
1Berto foi se despedir de mim, disse que era pra eu ficar firme, desejou boa sorte, eu desejei bom descanso e, como eu estava sentada, ele me deu um beijo na testa pra despedir. E foi saindo. Eu fiquei olhando ele saindo e comecei a chorar!
Aff!!!
Eu não sou assim não, sabe? Nem sou tão ligada a ele assim, principalmente depois que eu trabalho com ele (sinto é medo de ele desistir de mim porque eu não sei nada direito). E ele não está indo embora! São só férias!! Mas a imagem do beijo na testa - coisa que meu pai não faz, e nem é que ele não seja carinhoso, mas ele é diferente - e o 1Berto saindo pela porta... + a baixa de hormônios... Ai ai...

Mas passou o choro!
E tomara que passe a des-vontade de viver o fim de semana...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Métodos de espantar o sono em reuniões monótonas

Eu falei que ia postar um texto que dissesse tudo o que eu deveria ter gritado com o H. na hora de terminar, ou depois, mas não gritei. Aí a dois dias atrás eu cheguei no trabalho de manhã com a ideia de finalmente por essas coisas pra fora, mas não saiu nada! Parei, pensei, tentei iniciar uma das brigas que aconteciam com frequência na minha cabeça, onde ele só escutava, não dava desculpas, não discutia nada... Não veio. Parece que passou. Saiu de dentro de mim.
Não acho que a raiva e a frustração tenham sarado, mas eu não sofro com elas mais - considerando que cada briga imaginária que eu tinha com ele, era o sofrimento e a frustração pelo tempo perdido, pela má escolha, ou pela mudança (piração) repentina que se operou nele e fez a gente desandar. Não se sofre só com lágrimas. Eu não sabia de nada disso. Eu não sabia de muita coisa!

E ontem, durante uma reunião onde eu estava me beliscando pra ver se ficava acordada - eu SEMPRE sinto MUITO sono nas reuniões, aí tenho que escrever textos, fazer listas... Qualquer cosia pra me manter acordada - eu achei um texto de outra reunião, do dia que eu percebi que eu não ia chorar, nem emagrecer mais, nem andar pelas ruas achando que o mundo era cinza e que eu era uma zumbi...

Acho que ao longo dos anos - e tem uma boa quantidade de anos que eu ando me relacionando com caras bons e ruins - eu não aprendi nada! Mas neste ultimo anos eu aprendi tudo o que não tinha aprendido!!! Dá pra acreditar que eu tenha finalmente entendido o que é que tanto falavam sobre eu "me valorizar"?
Dá pra acreditar que eu esteja neste momento com preguiça  de conhecer gente porque ando sentindo de longe o cheiro dos que só falam balela pra me pegar e depois sumir feito fumaça no ar? Aliás alguns não somem... Eu via diariamente e sentia falta de ar psicológica porque sofria horrores a mudança de ideia repentina da criatura: um dia era só amores, no outro dia mal me dizia bom dia...

Bom, sabendo que essa situação não se reserva só a mim e que homens ruins estão espalhados aí, em qualquer lugar, disfarçados das mais variadas formas e conversas fiadas, vou me resguardar. Não que eu não queira ninguém. Só não estou querendo agora. E aprendi a sofrer, finalmente, apenas pelas coisas realmente sofríveis.




Nenhum sonho esdrúxulo ultimamente. Nenhum sonho normal também. Nem sonhos acordada eu ando tendo...